vergonha paulista parte I

Sempre tive muito orgulho de morar em S.Paulo. O maior Estado do Brasil com a maior população, maiores cidades, maiores avanços tecnológicos, maior diversidade de povos e culturas. Onde tem tudo a qualquer hora do dia e da noite.

 Mas de uns dias pra cá, estou triste. Triste com o povo paulista. Ontem ouvi uma pessoa dizendo:  Vc viu, fulano de tal, vai votar no Lula. Que absurdo!

 Respondi: Mas ele é favorito pra vencer no segundo turno. Então ouvi o seguinte:

- Vai ganhar porque esses “ Baiano” ignorantes vão votar nele. Porque “aqueles vagabundos” nordestinos estão vendendo o voto por um prato de comida e o tal Bolsa Família. E ainda completou:

- Esse Baiano do Lula é outro vagabundo igual ao povo de lá que só sabe fazer filho

 Nossa, meu Deus! Num instante parei pra pensar e me lembrei que essa não é a primeira vez que ouço esse tipo de coisa. Pra falar a verdade esse é um comportamento que se pode constatar a cada esquina de S.Paulo principalmente agora em época de eleição.

 Votar no Lula ou no Geraldo é um direito democrático. Acho até normal que o Tucano tenha mais votos em SP, afinal o candidato do PSDB foi governador, é de Pindamonhagaba, disputou a prefeitura de São Paulo. É um paulista da gema como se fala no Rio.

 Mas como bom Cristão fico estarrecido com é esse comportamento racista e preconceituoso, sobretudo da elite paulistana. Primeiro porque qualquer nordestino é tratado como “Baiano”. Segundo porque o próprio Lula na verdade é pernambucano assim como Erundina é paraibana.

 É verdade que SP esta cada vez mais cheia de não paulistas, principalmente por nordestinos. Isso acaba sobrecarregando a capacidade do Estado. Porem, não podemos nos esquecer que eles partem para fugir da seca, da fome e do desemprego. Porque nunca se pensou no Nordeste Brasileiro com a distância necessária à influência dos coronéis locais. Sempre foi interessante manter um curral eleitoral de gente miserável e sem estudo. Foi oportuno empurrar para a caatinga, de terras secas e sem valor econômico, nossos  Negros que depois da abolição, ficaram jogados a própria sorte após serem substituídos por imigrantes europeus. Sempre foi oportuno para nós paulistas e sulistas, contarmos com a mão de obra barata disposta a fazer o serviço que nossos “doutores” não querem fazer. Então vamos pensar nisso. Pense, só no dia de hj. Quantas coisas que vc fez ou usou no seu cotidiano que não passaram pelas mãos dos trabalhadores nordestinos.



Escrito por André Rubinho às 15h02
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Vergonha paulista parte II

Vamos lá, rápido: Provavelmente vc levantou para ir ao trabalho. A casa que velou seu descanso tem as mãos de pelo menos um pedreiro nordestino. O pão do café da manha; o padeiro há tempos não é mais português que geralmente é o dono da padaria. A roupa que vestimos, o transporte dela até a loja. O porteiro do prédio que logo cedo já te perguntou: “Tu viu o curingão onti?” O motorista do Ônibus. Tenho certeza que vc foi almoçar hj e o garçom com aquele sotaque bem arrastado lhe perguntou: “Vai di quê hoje?”. A cozinheira, a pessoa que cuida da sua casa, seu colega de trabalho, enfim eles estão por toda à parte trabalhando em coisas pesadas e geralmente ganhando mal.

Será que são tão vagabundos assim? Será que eles estão aqui porque amam essa terra de tanto barulho, gente e poluição? Será que é agradável pegar ônibus ou trem lotado todo santo dia pra chegar no serviço e ter que servir cafezinho para os diretores ou carregar e descarregar caminhão na cabeça? Será que é legal largar seu pai e sua mãe e se mudar pra “Sumpaulo” pra moral mal, comer mal, ganhar mal, passar frio e ainda ser excluído ou gozado pela forma de falar, pelo cabelo crespo ou pela pele que não atende aos “padrões” branco Europa? Se assim o fazem é porque estão desesperados. Então, porque tanto preconceito?

Eu mesmo respondo: Porque na nossa cabeça separatista, elitista das novelas da Globo,  não dá pra aceitar que um nordestino deixe de ser o pedreiro e passe a ser o engenheiro. Enquanto eles estivem por baixo, legal ninguém repara.

 Fiquei mesmo envergonhado de ser paulista. Fico mais ainda quando vejo amigos meus usando um símbolo ou adesivo de uma “mão de 4 dedos” com um corte ao meio significando “ Lula Não“.

Já disse, cada um vota em que quer, mas não dá pra conviver com esse tipo de preconceito. Não dá pra fazer piada com uma pessoa que perdeu um dedo trabalhando na beira de um torno como muitos brasileiros que sofrem acidentes de trabalho diariamente. Não dá pra excluir uma pessoa simplesmente por ser nordestina.

 Sabe o que os cariocas falam lá no Rio de Janeiro sobre o candidato Alckimin: “ Não vou votar nesse Paulixxxsta caipira que mal sabe onde é a Urrrrrca!”  Lula esta vencendo disparado nas pesquisas no Rio. Não por ser o melhor, mas porque os cariocas não querem votar num Paulista. Isso não nos ofende? Não dá raiva ouvir isso?

Pois é. É exatamente assim que tratamos os nossos “ Baianos”. É assim que me senti quando aquela mulher, que estava dentro de uma igreja com chinelos havaianas nos pés, dizia que estava na hora de nos livrarmos dessa “ raça”. Me vi diante do senador catarinense oligarca de pele bem rosada e presidente do conservador PFL herança do governo militar, que disse a mesma coisa ao se referir a Lula. Falo do Sr. Jorge Bonhauser. Nem sei se é assim que se escreve o sobrenome típico europeu.

Também não estou muito interessado em aprender porque diante de tudo isso prefiro os “ da Silva” mesmo.       



Escrito por André Rubinho às 15h00
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